8.7.16

Da poesia cotidiana


22.7.14

Uma de minhas paixões na pintura e desenho são os retratos, a artista Kristy Gordon tem trabalhos fantásticos e inspiradores. Talvez como a fotografia, o retrato também guarde um momento pra sempre,  não como ele é, mas como aquele que retrata o vê, traçando uma linha entre a história, o social e o pessoal. 
Sinto até vontade de pegar os lápis, pincéis e ir pintar. É estranho como no mundo atual (talvez até na antiguidade o fosse, vide textos sobre Platão ou outros filósofos e artistas) dedicar-se a arte nos deixa culpados por não estarmos atrás de um balcão, mesa, computador produzindo para empresas privadas ou públicas. É difícil sentir-se ligado a essas práticas, principalmente em cidades pequenas, onde a visão sobre atividades artísticas está ainda atrelada a muito preconceito. 
Enfim... eis alguns trabalhos de Kristy Gordon









10.2.14

No cômodo da memória perambulam fantasmas dos vivos
Enquanto esses degladiam-se em guerras imaginárias
A mente é o mais impiedoso carrasco
Que goza sobre sua própria alma violentada.


(Voltando a rascunhar alguns escritos... Quem sabe ainda consiga manter esse blog vivo como fazia anos atrás. Quem sabe a imaginação não envelheça, como dizem.)

24.12.13


18.12.13

Desenho versão a lápis e digital


"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. 
O que confesso não tem importância, pois nada tem importância.
Faço paisagens com o que sinto".

(Fernando Pessoa)


1.10.13

Acolheu-se meu corpo ao outro
Como um velho conhecido
E partiu

Tal qual dançasse até doer os pés,

Acordasse de pequenas lembranças,
Afastasse o abraço do sono,
Esquecesse poesias imaginadas
Ou terminasse de ler em voz baixa
Uma fábula qualquer.


17.9.13

O globo dos olhos girando nas órbitas planetárias do tempo.
Vejo um mundo diferente refletido em outra cor, sorrindo. 
Quase um voo, mas finda. 
O planeta negro volta a dormir sob pálpebras cerradas.



3.6.13


5.9.12


Este demônio
Por que?
Quisera outra cruz
Atravessasse-me de querer

Tirai dos meus olhos
O veneno do engano
Traga-me nojo
Ante a visão do malfeitor

De mim, esta praga, afasta!
Cura esta chaga que chamo de amor



28.5.12

A volta às palavras e algo sobre A Marcha das Vadias




Bateu a vontade de voltar a escrever. E um assunto que me fez pesquisar e pensar esses dias foi a Marcha das Vadias. Particularmente, sou defensora da vadiagem, não no sentido vulgar ao que remeteram a palavra com o passar do tempo, mas como postura malandra, subversiva, anti-social com ares de samba. Aliás, defendo com unhas e dentes a proposta bamba, onde homens e mulheres carnavalizam-se como bem entendem, vide Clementina de Jesus, Clara Nunes e outras sambistas que, assim como o termo, não tem gênero, só sangue-bom. Faço apologia à imoralidade, quando esta significa não censurar-se via moralismos repressivos e fajutos. Parar pra pensar o sentido de AMORalidade sem os olhos feios da moral. Tentam nos impreguinar de sensos que vulgarizam naturalidades. Vulgar é outra coisa. Uma boa ilustração pra essa verdade é a Baderna. Marietta Baderna. Bailarina italiana refugiada no Brasil que teve o nome transformado em verbete de dicionário. Baderna começou a apresentar-se nos teatros do Rio de Janeiro e virou estrela.  Seu estilo de vida era boémio, como praxe dos artistas (outro substantivo sem gênero), não era homem nem mulher, era gente e vivia dos seus desejos de gente. Conquistou fãs que passaram a se auto-intilular "Os Badernistas", ligavam o sobrenome da bailarina à beleza e à arte. Baderna era tudo que fosse belo, artístico. Foi quando Marietta Baderna começou a incomodar os conservadores e moralistas, pois além de dançar também pensava e seu  pensamento  era também como ela, pra frente. Então, como é de praxe, passou a ser marginalizada, proibida de apresentar-se, divulgada como prostituta. Foi quando o moralismo topou com a Baderna. E Baderna virou bagunça. É aí que volta a Marcha das Vadias. A precisão de cuidado pro que é belo não acabar virando baderna. 
Usei as linhas iniciais pra defender, assim como uso minha própria vida, a liberdade, despudorização e derrubada de noções moralistas de gênero. Não tem homem nem mulher, tem ser humano. Nisso talvez sair nua na rua não seja necessariamente significativo como ilustração da luta pela queda de tabus ligados às mulheres. De repente carnavalize-se de forma negativa o sentido da manifestação. Assim como em muitos locais a Parada Gay é mais carnaval que revolução. Os veículos de mídia repressores transformam a nudez natural em feiura, em vulgaridade. E os efeitos da mídia confundem a todos. A arma mais forte contra manifestações populares hoje não é mais militar, é midiática (não que os militares não estejam aí caso esta falhe). É quando muitas vezes me parece que a imagem supera o conceito e a Marcha da Vadia parece  não ter peito, só peitos demais.