23.4.11

Talvez o tempo tenha roubado da moça o viço
Tirado-lhe os dias dos olhos, a cor
Plantando no lugar uma pretura amarga
Sem data, luz, gente ou vela para acender

Não há mais graça na moça
Só a plasticidade mecânica de passar as horas
Esquecendo pelos cantos motivos,
votos, princípios e coragem.

Morreu vontade no peito da moça
Ficou a inquietação aflita pela hora de acabar
Trocou-se o despertar pelo sono
O apático sonho dos que não querem acordar